Podia dar-te uma explicação convicta para o que aconteceu, mas não tenho. Podia ainda reunir factos relevantes que tenham ajudado a concretização, mas não tenho argumentos. E talvez não seja tão boa a arranjá-los como dizem. Mas sei, e guardo num beco escuro e sem saída, o dia em que tudo aconteceu. Lembro-me como se fosse ontem, como se fosse um pesadelo que tivesse tido esta noite. E é engraçado como memorizamos mais facilmente aquilo que queremos que o mundo esqueça. Talvez por guardarmos dentro de nós, é que isso não acontece. Mas seja como for, o vento ainda sopra para o mesmo lado, as ondas do mar ainda enrolam na areia e tu ainda cá estás. Ainda tento enganar-me a mim mesma, dizendo que as minhas palavras têm rumos diferentes, mas na verdade, todas elas são para ti. E não é o tempo que magoa, já não são as circunstâncias que o fazem, mas é a culpa que permanece e o facto de saber que nem a mim, me sei enganar. E isso dói, como se perfurasse no meu peito outra desilusão. Desiludi-me muito a mim mesma. Sei que te desiludi a ti. E esse é o pior castigo que posso acarretar na minha vida. Mas também sei que te dei tudo de mim e continuo a dar todos os dias. Consequentemente, ainda agora tento arranjar argumentos para qualificar a maneira como me destabilizas de tudo que faço, da forma como eu penso e da maneira como quero prosseguir daqui para a frente (..) e quando penso eu conseguir, lá surges tu, parece espécie de perseguição, a verdade é que é através dela que me sinto bem comigo mesma (estranho não é ?) . Sabes o que me custa mais depois disto tudo? É ainda admitir o que sinto por ti, dizer-te que não me imagino sem ti, que foste o melhor que me aconteceu. Mas se há coisa que eu te prometi e que não tenciono quebrar, é a promessa de nunca te mentir.
Percebes o quanto estou a precisar de ti ?